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O diálogo entre um jornalista e um policial militar de Curitiba, aconteceu no último sábado (7), as 15h42, em na capiral paranaense. O dia estava ensolarado, mas estava um pouco frio. Para não prejudicar a carreira do soldado, o nome dele não será divulgado neste texto. Para um entendimento claro deste fato, este texto merece seguir com travessões desde o início.

 

– Habilitação e documento do carro? – disse o policial.
 – Esta aqui minha habilitação, senhor!

– Só um minuto por favor, este carro é da minha esposa e vou ver onde ela guarda os documentos.

– Eu não tenho o dia todo, vamos logo com isso? Você é um irresponsável! Furou o Sinal Vermelho!

– Os documentos estão aqui, soldado. O sinal estava amarelo.

– Não venha dar de boca dura seu idiota, irresponsável!

– Soldado, o senhor tem fé pública, se entende que eu cometi uma infração de trânsito, pode lavrar a multa, mas por favor me respeite, estou com minha filha de cinco anos aqui, assustada com sua truculência.

– Se você continuar dando de boca dura vou te quebrar a cara!

– Soldado, o senhor por favor me respeite, porque eu estou te respeitando. O senhor está assustando a minha filha e a sua prática não é correta. O senhor está cometendo um excesso.

 O policial militar pediu para o jornalista descer do carro e continuou ofendendo ele, que tirou o seu celular do bolso e começou a registrar a situação.

– Você está filmando, seu idiota, Se usar a minha imagem eu vou te processar, disse o soldado.

– O senhor faz o que achar melhor

– Se você continuar filmando vou quebrar a sua cara

– Como cidadão, e como jornalista, me sinto na obrigação de registrar essa situação porque sei que essa não é a conduta da PMPR.  

Neste momento, o soldado chamou reforço policial pelo rádio, alegando Tráfico de Influência porque o jornalista disse que iria contar sobre a conduta ofensiva, agressiva e truculenta para alguns oficiais que foram seus colegas no Colégio da Polícia Militar (CPM).

Em dois minutos duas viaturas da polícia chegaram no local e se depararam com o jornalista e sua filha de cinco anos no colo. Muitos cidadãos do conjunto comercial ao lado assistiam abismados uma cena inusitada: Cinco polícias militares, três veículos oficiais, para enfrentar um cidadão com uma criança no colo.

O soldado que chamou reforço pediu aos colegas que revistasse o carro do cidadão. Além dos cinco policiais já havia muitos curiosos olhando a cena. A partir deste momento os soldados que chegaram presenciaram o restante do diálogo.

– Vou te multar por avançar o sinal vermelho, disse o policial

– Certo, soldado, embora eu tenha passado no sinal ainda amarelo, o senhor tem fé pública e recebo a infração sem o menor problema.

– O seu celular está gravando a situação?

– Se estiver é porque como já lhe disse, não concordo com a forma truculenta que assustou a minha filha de cinco anos e preciso relatar isso na imprensa para inibir situações como estas.

– Você tem que apagar esse vídeo. Apague agora!

– Não senhor, não vou apagar, neste momento, assim como o senhor, estou no exercício da minha profissão, e  vou relatar este fato.

– Me dá o seu celular para eu apagar este vídeo, se você não der por bem, vai dar por mal.

Neste momento, o número de pessoas que assistiam a situação já era maior, mesmo assim, até os curiosos estavam longe, com medo da ação da polícia. O jornalista disse aos outros quatro soldados que estavam no local. “Os senhores estão condescendentes com a ação deste soldado, que quer pegar o meu aparelho celular e apagar as imagens? Quem está no comando aqui?” Um deles respondeu timidamente. “Ele é o mais antigo, portanto, ele está no comando”.

Você vai me dar o celular para eu apagar o vídeo ou não?

– Não senhor, isso é cerceamento do trabalho de imprensa.

 – Hoje para ser jornalista nem precisa mais ter faculdade. Você tem terceiro grau?

– Não vejo qual a importância disso para esta situação.

Tem ou não?

– Tenho sim, soldado.

Qual faculdade?

– Unibrasil.

Isso não é faculdade.

– Tá certo.

Se você não me der o celular vou ter que usar violência.

– Eu não vou dar.

Neste momento o jornalista ficou com vergonha alheia. Cinco policiais, três veículos da PMPR, um verdadeiro circo montado com expectadores por toda volta. Ele com sua filha de cinco anos no colo. A menina abraçou forte a sua boneca Monica Barriguinha e o policial veio em direção a eles e tirou o celular do bolso do jornalista, contra a sua vontade. Os outros soldados ficaram olhando, parecia que também estavam envergonhados de ver a cena.

O soldado pegou o celular, virou de costas para as pessoas e para os seus colegas e ficou uns três minutos mexendo no celular do jornalista até apagar o vídeo que havia sido feito.  Algumas pessoas, que estavam olhando, colocaram a mão no rosto de vergonha de ver uma cena tão inusitada. Após apagar o vídeo, o soldado lavrou a multa e devolveu o celular.

– Ah, agora quero ver você falar alguma coisa. Fala alguma coisa que te processo por calúnia, você não tem mais como provar nada. É assim que a gente tira dinheiro de otário.

– O senhor pode me dar uma cópia da multa, disse o jornalista

 – Ah, é verdade, está aqui sua cópia.

– Soldado, o senhor pode também devolver minha habilitação?

– É verdade, está aqui sua habilitação. Está liberado.

– Soldado, preciso do documento do carro para eu ir embora

– Puxa, aonde está o documento…. Está aqui… Pode ir embora….

-Ok, sou filho de militar, estudei no Colégio da Polícia Militar, é uma pena que a situação tenha chegado a este ponto. Respeito você e seus colegas que estão a sua volta. Que pena. Deus te abençoe soldado. Peço a Deus bênçãos em sua vida.

  – Eu não acredito em Deus, finalizou o soldado.

O jornalista fez questão de fazer este relato para colocar em pauta situações de abuso de autoridade de policiais militares no Paraná. Seria importante o comanda da PM-PR contar para a população como se defender e denunciar um abuso de autoridade. Neste caso a denúncia foi realizada pelo telefone 190, as 19 horas deste sábado (7).

 

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