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O Globo

SÃO PAULO – O PMN (Partido da Mobilização Nacional) bateu o martelo neste domingo e decidiu, em convenção extraordinária realizada em São Paulo, desistir da fusão com o PPS (Partido Popular Socialista) para criar o MD (Mobilização Democrática). A presidente em exercício do PMN, Telma Ribeiro, afirmou que a legenda não quer ficar refém à espera de que políticos com mandato ou não decidam se vão para o natimorto MD, entre eles o ex-governador de São Paulo, José Serra. O tucano negociava com o presidente do PPS, Roberto Freire, uma possível filiação ao MD para se candidatar à Presidência da República pelo MD em 2014, caso a legenda fosse criada.

Telma disse que o “timing” do PMN e do PPS estão diferentes e que desavenças para decidir sobre cargos nos diretórios regionais da nova legenda também influenciaram na decisão. Segundo ela, caso o MD fosse criado, ele não poderia ficar refém de coisa alguma, inclusive de uma possível ida de Serra.

— Partido não é restaurante que você monta e espera os fregueses. Você constrói o partido com os objetivos que justificam as pessoas irem para aquele partido. Não porque A ou B podem ir — disse.

A incerteza de Serra sobre uma possível filiação no MD também pesou. Para Telma, Serra teria que estar convicto da importância da legenda.

— Não gosto de alguém dizendo “eu vou ver se vou ou não vou”. É sinal de que a pessoa não está nos vendo como parceiros. Quem quer vir, vem. Não fala, no último minuto: “espera aí que eu vou ver, se não tiver nenhum lugar melhor para eu ir ou se o lugar onde estou não ficar melhor, aí eu vou”. Partido não deve ser como mercadoria que você pode escolher entre várias possibilidades, pois isso demonstra que não há ideologia — afirmou Telma.

A presidente do PMN disse que não se preocupava com a possibilidade de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir que a fusão dos dois partidos não configuraria a criação de uma nova legenda. A assessoria técnica da presidência da Corte teria redigido um parecer com esse entendimento, o que faria com que o MD não tivesse direito ao Fundo Partidário e ao tempo de televisão dos deputados que se filiassem à legenda.

— Para quem trabalha, televisão é apenas um complemento. Não é uma necessidade — afirmou em convenção do PMN em São Paulo.

O PMN, segundo Telma, não viu sentido em esperar que o TSE se pronunciasse sobre a consulta feita pelo PPS.

— Eu vou esperar que ele (TSE) diga isso e depois vou esperar se o outro vai dizer que vem? Que é isso? Partido não é isso. Não posso imaginar que todo esse trabalho que tivemos seja apenas para criar uma zona confortável para alguém. O partido deve levar uma proposta para a nação — disse.

Segundo Telma Ribeiro, nas conversas para a fusão, PPS e PMN teriam combinado que em metade dos estados do país, o PMN presidiria o diretório estadual do MD e na outra metade seria o PPS. O problema é que, de acordo com Telma, o PPS não estava aceitando que alguns dirigentes do PMN presidissem diretórios regionais do MD. Isso estaria acontecendo em estados como o Rio de Janeiro, Paraíba e Minas Gerais. Além disso, integrantes da juventude das duas legendas eram contrárias à fusão.

A presidente do PMN lamentou que a fusão não seja possível.

— Fico triste que não dê para caminharmos. Mas se não pensarmos do mesmo jeito não adianta, é tolice.

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